Avançar para o conteúdo principal

O Ácido D-aspártico Funciona?

O ácido D-aspártico, mais conhecido por D-aspartic acid (DAA), é desde há vários anos um dos suplementos mais populares e consumidos dentro da categoria dos suplementos potenciadores de testosterona.

É possível adquirir este suplemento na sua forma isolada, mas também em fórmulas que o combinam com vários outros minerais, vitaminas e ervas, tais como o zinco, magnésio, vitamina D3, tribulus aratus, maca, etc.

Apesar de ainda não ter sido realizado um número significativo de estudos que tenham analisado este suplemento, especialmente em atletas, aqui está o que sabemos atualmente acerca do ácido d aspártico

O que é o ácido d aspártico?

O ácido d-aspártico é um derivado do ácido aspártico, que é um aminoácido não essencial.

Faz parte da constituição da cartilagem, do enamel, das membranas dos glóbulos vermelhos e pode acumular-se no cérebro, onde atua como molécula sinalizadora, sendo especialmente ativo na glândula pituitária e pineal (1, 2).

Como funciona o ácido d aspártico?

O ácido d aspártico é um aminoácido regulador da síntese de proteína e pode atuar num receptor estimulador (NMDA)

O ácido d aspártico pode provocar um aumento da libertação de hormonas a partir do cérebro, tais como a LH (hormona leutinizante), a FSH (hormona folículo-estimulante) e da hormona de crescimento.

Por sua vez, a maior secreção de hormona leutinizante a partir do hipotálamo promove uma maior síntese de testosterona a partir dos testículos (3).

O ácido d aspártico funciona?

Felizmente, e uma vez que vivemos numa era em que temos acesso mais fácil e rápido à informação científica, também temos a possibilidade de aceder e analisar os poucos estudos que já foram realizados acerca do ácido d-aspártico.

Aumento dos níveis de testosterona: Um estudo realizado por investigadores italianos verificou que o consumo de 2.66 gramas por dia de ácido d aspártico, durante 90 dias, aumentou em 30 a 60% os níveis de LH e de testosterona em homens inférteis.

A suplementação com ácido d-aspártico também aumentou de forma significativa a concentração e a mobilidade dos espermatozoides (4).

Em indivíduos normais, este suplemento também pode proporcionar um aumento dos níveis de testosterona, acima dos níveis normais, mas apenas de forma temporária. Esse aumento parece ter a duração de apenas 7 a 11 dias, sendo que os níveis retornam aos seus valores normais após esse período de tempo (5).

Hipertrofia e força: Se pretende obter maiores ganhos de força e de massa muscular com este suplemento, então é muito provável que vá ficar desiludido com este suplemento.

Um estudo verificou que a suplementação com 3 gramas de ácido d-aspártico num grupo de atletas experientes durante 28 dias, não aumentou o nível de força, nem de massa muscular, de forma significativa (5). Isto mesmo apesar de terem obtido um aumento temporário dos níveis de testosterona com o consumo de ácido d-aspártico.

Conclusão

O ácido d aspártico parece ser útil sobretudo para os indivíduos que sofrem de hipogonadismo ou que por vários motivos se encontram com os níveis naturais de testosterona abaixo do normal, tal como acontece nos indivíduos que cessam o uso de testosterona exógena ou de seus derivados.

Nesse contexto, este suplemento poderá proporcionar um aumento significativo da produção de testosterona natural, que por sua vez poderá permitir a obtenção de níveis normais de testosterona.

Assim sendo, é pouco provável que os indivíduos que têm a testosterona a níveis normais possam obter níveis muito mais elevados de testosterona, e/ou um aumento da força e massa muscular, com a suplementação com ácido d-aspártico.

Em termos de segurança, acredito que pode ficar descansado em relação ao consumo deste suplemento, pois num dos estudos que referimos neste artigo, os investigadores administraram 2.66 gramas de ácido d-aspártico a um grupo de homens com problemas de fertilidade, durante 90 dias.

No decorrer desse estudo, os investigadores mediram os níveis de eletrólitos, enzimas do fígado, de glicose, ureia, creatinina e o funcionamento dos glóbulos vermelhos e brancos, e não detetaram quaisquer irregularidades (6).

Caso esteja decidido a experimentar este suplemento, fique a saber que a ingestão recomendada é de 2 a 3 gramas por dia.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quanta proteína é possível absorver por refeição?

Dentre a série de tópicos relativamente controversos englobados no mundo da nutrição temos a questão da quantidade de proteína que o corpo humano consegue absorver no seguimento de uma dada refeição. Relacionado com a mesma temática, temos a questão da definição da quantidade de proteína que idealmente se deve ingerir após a execução de um treino resistido, com vista a maximizar a síntese de proteína muscular. Estudos publicados até há poucos anos concluíram que a ingestão de 20 a 25 g de proteína de boa qualidade (whey, proteína do leite, ou proteína de ovo) após um treino de musculação direcionado à musculatura dos membros inferiores seria o suficiente para maximizar a síntese de proteína muscular em adultos jovens e saudáveis, sendo que em doses superiores os aminoácidos “excedentários” seriam simplesmente oxidados. 1,2   Entretanto, em 2016, os autores Macnaughton et al. 3 verificaram que a suplementação com 40 g de proteína whey após uma sessão de treino de musculação de corpo i

É Melhor Perder Peso de Forma Rápida ou Lenta?

A perda de gordura pode proporcionar vários benefícios para a saúde daqueles que têm excesso de peso. ¹⁻² e é uma necessidade imperativa para atletas de determinados desportos e para aqueles que participam em competições de culturismo e similares.³ No entanto, independentemente do ritmo a que se perde peso, há uma série de consequências negativas que são praticamente impossíveis de evitar. Esses efeitos indesejáveis incluem a diminuição da taxa metabólica basal em repouso,⁴ dos níveis de testosterona,⁵ perda de massa magra,⁶ e diminuição da força muscular.⁷⁻⁸ De forma a minimizar esses efeitos negativos, são muitos aqueles que evitam as dietas mais drásticas, do tipo yo-yo e que, em vez disso, aconselham uma perda de peso lenta, por exemplo, de 0,5 kg de peso corporal, por semana.³ O que diz a ciência? Já foram conduzidos variados estudos que procuraram determinar qual a velocidade de perda de peso que melhor preserva a taxa metabólica, a massa magra, bem como os níveis de testosterona

Qual é a Quantidade de Proteína Ideal para Maximizar a Força e a Massa Muscular?

Tipicamente, os praticantes de musculação almejam obter um físico que, para além de exibir uma percentagem de gordura corporal relativamente baixa, apresente uma musculatura visivelmente desenvolvida, frequentemente ao maior nível possível. Para além destes, e sobretudo com vista a maximizar o seu rendimento, os atletas de desportos de força, assim como os praticantes de outras modalidades desportivas também se interessam particularmente por esta temática.  Neste contexto, os nutricionistas que de algum modo trabalham com estes indivíduos, devem ser capazes de os aconselhar relativamente à quantidade de proteína ideal para maximizar os ganhos de força e de massa muscular, naqueles que executam treino resistido. Será necessária uma dose de proteína superior à recomendada pela EFSA - Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (0,83 g/kg peso)¹ para maximizar os ganhos de força e a hipertrofia muscular em adultos jovens?  Este tópico tem vindo a ser investigado de forma relativame