Avançar para o conteúdo principal

CLA para Aumentar o Rendimento Desportivo

O CLA (ácido linoleico conjugado) é conhecido como um suplemento para perda de gordura e vários estudos comprovam que a suplementação com este composto pode realmente proporcionar uma perda modesta de gordura adiposa no final de um período de tempo mais ou menos prolongado (6 meses ou mais) (1).

Mas este suplemento parece ter outras propriedades interessantes, nomeadamente para os atletas de vários desportos e principalmente para os atletas de resistência.

Um estudo publicado recentemente refere que a suplementação com CLA aumenta a resíntese de glicogénio e o conteúdo de glicogénio muscular após a realização de um treino. Sendo assim, parece que este composto pode passar a ser considerado uma ajuda ergogénica que aumenta as reservas de glicogénio muscular e, consequentemente, a capacidade de resistência.

CLA para aumentar o rendimento desportivo

Um estudo realizado em animais já tinha comprovado que a suplementação com CLA, mais precisamente com o isómero cis-10 trans-12, foi capaz de promover um maior transporte de glucose e ainda uma maior síntese de glicogénio muscular (2).

Vários outros estudos verificaram que a suplementação com este composto foi capaz de aumentar a capacidade de resistência e a oxidação da gordura, em animais (3, 4)

Para a realização deste estudo, os investigadores começaram por reunir 12 voluntários jovens, que foram divididos, de forma aleatória, em dois grupos (5).

  • Um grupo recebeu 3.8 g/dia de CLA, que consistiu numa mistura 50:50 dos isómeros trans-10 cis-12 e cis-9 trans-11, durante 8 semanas.
  • O outro grupo recebeu um placebo, durante o mesmo período de tempo.

Após 8 semanas de suplementação, todos os participantes realizaram uma sessão de treino, que consistiu em 60 minutos de exercício a 75% VO2 max, num aparelho de remo.

Assim que terminaram o treino, todos os voluntários ingeriram 2 gramas de hidratos de carbono por Kg de peso corporal.

De forma a determinar os níveis de glicogénio muscular e o nível de expressão de várias proteínas (GLUT4, P-Akt e Akt) ,os investigadores também procederam à recolha de biopsias musculares, no final do treino e 3 treinos após o treino.

Resultados

Os investigadores verificaram que:

  • Os níveis de glicogénio muscular no final do treino e 3 horas após o treino foram notoriamente mais elevados para os voluntários que tomaram CLA.
  • Os níveis de proteína GLUT4 no tecido muscular encontravam-se a um nível 150% superior no grupo CLA, em comparação com o grupo placebo e essa elevação manteve-se durante 3 horas após o treino.

Note que a resíntese de glicogénio no tecido muscular depende principalmente dos níveis de proteína GLUT4 (uma proteína transportadora de glicose), e portanto, em princípio, quanto mais elevados forem os seus níveis, maior e mais rápida será a resíntese de glicogénio e melhor poderá ser a prestação desportiva (6, 7).

  • Os voluntários que ingeriram CLA tiveram níveis mais elevados de glicose e de insulina no sangue antes do exercício e após a refeição com hidratos de carbono.
  • A suplementação com CLA não aumentou a oxidação da gordura durante o período de recuperação pós-treino, após a ingestão de hidratos de carbono.

Os investigadores concluíram o seu estudo afirmando:

O nosso estudo providenciou novas provas de que a administração oral de CLA é capaz de aumentar a resíntese de glicogénio no tecido muscular esquelético exercitado. Estas descobertas sugerem que o CLA pode ser considerado uma ajuda ergogénica eficiente para aumentar os níveis de glicogénio muscular e a capacidade de resistência.

Conclusão

Este estudo comprovou que a suplementação com CLA promove um restabelecimento mais rápido das reservas de glicogénio muscular, nomeadamente através do aumento da expressão da proteína GLUT4.

Sendo assim, supõe-se que este suplemento poderá ser eficiente para aumentar os níveis de glicogénio muscular e a capacidade de resistência de atletas jovens.

Um maior aumento das reservas de glicogénio muscular poderá ser benéfico para os praticantes de musculação, pois, em principio, isso também poderá traduzir-se num aumento da circunferência muscular ou numa aparência muscular mais “cheia”.

Para além disso, uma reposição mais rápida dos níveis de glicogénio muscular também poderá beneficiar aqueles atletas de musculação que realizam treinos bi-diários e/ou que também praticam outras atividades desportivas.

Referência!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Quanta proteína é possível absorver por refeição?

Dentre a série de tópicos relativamente controversos englobados no mundo da nutrição temos a questão da quantidade de proteína que o corpo humano consegue absorver no seguimento de uma dada refeição. Relacionado com a mesma temática, temos a questão da definição da quantidade de proteína que idealmente se deve ingerir após a execução de um treino resistido, com vista a maximizar a síntese de proteína muscular. Estudos publicados até há poucos anos concluíram que a ingestão de 20 a 25 g de proteína de boa qualidade (whey, proteína do leite, ou proteína de ovo) após um treino de musculação direcionado à musculatura dos membros inferiores seria o suficiente para maximizar a síntese de proteína muscular em adultos jovens e saudáveis, sendo que em doses superiores os aminoácidos “excedentários” seriam simplesmente oxidados. 1,2   Entretanto, em 2016, os autores Macnaughton et al. 3 verificaram que a suplementação com 40 g de proteína whey após uma sessão de treino de musculação de corpo i

É Melhor Perder Peso de Forma Rápida ou Lenta?

A perda de gordura pode proporcionar vários benefícios para a saúde daqueles que têm excesso de peso. ¹⁻² e é uma necessidade imperativa para atletas de determinados desportos e para aqueles que participam em competições de culturismo e similares.³ No entanto, independentemente do ritmo a que se perde peso, há uma série de consequências negativas que são praticamente impossíveis de evitar. Esses efeitos indesejáveis incluem a diminuição da taxa metabólica basal em repouso,⁴ dos níveis de testosterona,⁵ perda de massa magra,⁶ e diminuição da força muscular.⁷⁻⁸ De forma a minimizar esses efeitos negativos, são muitos aqueles que evitam as dietas mais drásticas, do tipo yo-yo e que, em vez disso, aconselham uma perda de peso lenta, por exemplo, de 0,5 kg de peso corporal, por semana.³ O que diz a ciência? Já foram conduzidos variados estudos que procuraram determinar qual a velocidade de perda de peso que melhor preserva a taxa metabólica, a massa magra, bem como os níveis de testosterona

Qual é a Quantidade de Proteína Ideal para Maximizar a Força e a Massa Muscular?

Tipicamente, os praticantes de musculação almejam obter um físico que, para além de exibir uma percentagem de gordura corporal relativamente baixa, apresente uma musculatura visivelmente desenvolvida, frequentemente ao maior nível possível. Para além destes, e sobretudo com vista a maximizar o seu rendimento, os atletas de desportos de força, assim como os praticantes de outras modalidades desportivas também se interessam particularmente por esta temática.  Neste contexto, os nutricionistas que de algum modo trabalham com estes indivíduos, devem ser capazes de os aconselhar relativamente à quantidade de proteína ideal para maximizar os ganhos de força e de massa muscular, naqueles que executam treino resistido. Será necessária uma dose de proteína superior à recomendada pela EFSA - Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (0,83 g/kg peso)¹ para maximizar os ganhos de força e a hipertrofia muscular em adultos jovens?  Este tópico tem vindo a ser investigado de forma relativame